Quem Faz Jejum Vive Mais e Melhor, diz Nobel de Medicina

        


          
           O ganhador do Nobel de medicina de 2016, Yoshinori Ohsumi, provou que o jejum faz o corpo destruir as células velhas e fracas. Esse mecanismo, chamado de autofagia, é renovador.
           Os estudos de Yoshinori Ohsumi mostram que a prática do jejum estressa as células e contribui para a ativação do processo de autofagia, que estimula uma faxina interna no organismo e aumenta a longevidade do indivíduo. Como um barco afundando, o corpo precisa se desfazer de tudo que é supérfluo pra sobreviver mais tempo.

            A autofagia é um mecanismo importante de autolimpeza que existe em todas as células do corpo. Os genes que regulam essa reciclagem de organelas velhas ou malformadas foram identificados pelos cientistas. A redução da autofagia leva ao acúmulo de componentes danificados, o que está associado à morte das células boas e ao desenvolvimento de doenças. Assim, manter o mecanismo ativo seria uma forma de evitar a deterioração do organismo.

            "O jejum induz a autofagia, isso é sabido. Também sabemos que a autofagia induz a longevidade. A busca agora é entender a conexão entre a autofagia ativada pelo jejum e a longevidade das células", explica Soraya Smaili, professora livre-docente da Escola Paulista de Medicina.

            Contudo, se a privação de nutrientes for muito longa, os efeitos passam a ser negativos. Nesse caso, a célula poderia começar a degradar componentes bons, que estão funcionando bem. O ideal seria conseguir estimular a faxina interna em tempo certo, sem excessos.

            Durante o jejum, é importante manter o consumo de água e de sais, para não provocar aumento da pressão arterial ou desidratação, além do fato de que o jejum é recomendado apenas para pessoas saudáveis.

            Estudos realizados em humanos que mostram que o jejum, se bem conduzido e monitorado, traz benefícios em longo prazo. O jejum não pode ser prolongado e deve durar de 12 a 24 horas, no máximo. Entretanto, para garantir o aumento da expectativa de vida, o jejum precisaria ser feito de forma periódica.

            Michael Mosley, médico e celebridade da televisão britânica e autor do livro The Fast Diet (A dieta do jejum), lançado recentemente, recomenda a seus pacientes o consumo, duas vezes por semana, de um quarto das calorias ingeridas normalmente. Ele afirma que suas dicas são baseadas em evidências científicas e viu os resultados em si mesmo após seguir a sua própria dieta.

            Embora somente agora surjam as evidências científicas dos benefícios do jejum, essa prática não é novidade para os budistas, hinduístas, muçulmanos, judeus, católicos, taoistas, crudivoristas, vegetarianos, entre outros.  

            O jejum é uma prática antiga e não serve apenas para queimar gorduras e expulsar substâncias indesejáveis que estão acumuladas, mas também para deixar a mente mais tranquila e consciente do próprio corpo.
            Psicologicamente, o jejum é o triunfo da própria vontade sobre a dor e o desconforto da fome. É um exercício de disciplina que, inevitavelmente, leva a reflexão sobre questões fundamentais a cerca de si mesmo.

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